sábado, 31 de março de 2012

A Abelha e o Zangão

Foi um grande zunzunzum
Na colméia àquela tarde.
A Abelha se zangou
Com o zangão que era covarde.

A Abelha era rainha,
Mas o Zangão não era o rei.
A Abelha disse a todos:
- Do Zangão me separei!

Foi aquele zunzunzum
Das abelhas curiosas
Que cercavam todas juntas
A rainha furiosa.

E o tempo ia passando
Sem abelhas pelo céu,
As abelhas operárias
Esqueceram até do mel.

Foi um enorme zunzunzum
Quando o Zangão voltou,
E quando disse à rainha:
- Operário agora sou!

A rainha então sorriu,
Disse: - Todos ao trabalho!
E acabou o zunzunzum
Na colméia lá do galho.

(Narcélio Lima)

O Chico do Chichico no Trem

Lá vem o Chico do Chichico no trem.
Assobiando, assoprando também.
Piuí piuí...
Lá vem ele, lá vem ele e vem bem!

Chega mais perto, muito perto ele vem
Esfumaçando, balançando para quem?!
Piuí piuí...
Vem o trem, vem o trem de Belém!

Chegou na hora, quero horas, quem tem?
E vem parando, vem chegando alguém
Piuí piuí...
É o  Chico do Chichico quem vem!...

(Narcélio Lima)

O Sapo Solitário

Coaxa o sapo
Da boca pra fora
Esculacha... Esculacha
Depois se apavora

Coaxa o sapo
No meio do mato
Balança o papo
Por lá se demora

Coaxa o sapo
E acorda cedinho
Não sabe ser chato
Por ser tão sozinho

Coaxa o sapo
E reclama também
Dá catiripapo
Por não ter ninguém.

(Narcélio Lima)

O Buraco do Tatu

Uma vez um tatu-bola
Foi fazer mais um buraco
Foi cavando...foi cavando...
O tatu não era fraco

Dias foram se passando
E o tatu sempre a cavar
Sua mãe tão preocupada
E ele nada de voltar

Só depois de muito tempo
Ele apareceu do nada
Aprendeu uma língua estranha
Quem ouviu só deu risada

Ele disse ao voltar:
“Cavei tanto aquele chão,
Que de uma hora pra outra
Vi que estava no Japão!”

(Narcélio Lima)

sexta-feira, 30 de março de 2012


Coração de Vidro



Ô Maria Aparecida,
De que é feito o seu cordão?
É de ouro ou é de pedra
Que nem o seu coração?

Ô Maria Aparecida,
De que é feito o seu anel?
É de ouro, é de vidro,
Ou é feito de papel?

“É de ouro – não é pedra –
O pingente e o cordão...
O anel não é de vidro:
Vidro é só meu coração!"

(Narcélio Lima)

A Lagartixa

A lagartixa cochichou
Tanto, tanto
Que o seu rabo espichou

E no dia em que notou
Ora! Foi aquele espanto
Todo mundo viu seu pranto
Ela quase desmaiou

Nunca mais saiu de casa
Pra falar de Seu Ninguém
Nem foi mais àquela praça
Para ver o vai-e-vem

Não sabia a lagartixa
Que aquela que muito cochicha
Espicha o rabo que tem!

(Narcélio Lima)

Indiozinho

Indiozinho nu na mata
Arco e flecha em sua mão
Foi caçar seu alimento
Indiozinho brincalhão

Indiozinho tão valente
Foi na vida se embrenhar
Curioso esse menino
Indiozinho a brincar

Indiozinho ficou triste
Quando viu tudo queimado
Sua tribo sentiu fome
Vi um Índio desolado.

(Narcélio Lima)

VAMOS COLORIR O MUNDO

Pegue algum lápis de cor
Mas de cor bem amarela
Pinte o sol que vai se pôr
Pinte a casa e a janela

Pegue ali mais um pincel
De um azul... bonito azul
Pinte então um lindo céu
E uma estrela lá no sul

Pegue só uma caneta
E o desenho assim encerra:
Com o azul de um planeta
E o verde d’uma terra.

(Narcélio Lima)

Ilustração de Naomy Kuroda - www.ilustradoranaomykuroda.blogspot.com


A ARARA

Uma voz perguntou à arara
De que cor ela queria ser
Ela disse: Cor da mata
Ou do céu no anoitecer

Também disse: Oceano
Cor de mar queria ter
Mas aceitaria a cor
De uma nuvem a chover

No vermelho de uma rosa
Ela sempre quis se ver
E com o amarelo sol
Sempre quis se parecer

Foi aí que O Criador
Resolveu o que fazer
Deu-lhe todas essas cores
E a arara foi nascer.

(Narcélio Lima)

Palavras Mágicas

Outro dia apareceu em minha janela
Uma fada voadora muito bela.

Ansiosa, fui fazendo mil pedidos:
Guloseimas, uns sapatos, uns vestidos...

A fadinha graciosa me falou:
“Sem a palavrinha mágica eu não dou!”

Mas que palavrinha mágica era essa?
Eu sentei... Fiquei... Pensei, pensei a beça

E lembrei do que me disse o professor:
“Se pedir jamais esqueça o POR FAVOR!”

Então disse isso para a tal fadinha
Só assim ela me deu o que eu não tinha

Depois disso eu lhe disse: “OBRIGADA,
VOLTE SEMPRE, és BEM-VIDA minha fada!”

E ela disse: “COM LICENÇA  está na hora
ME DESCULPE, mas preciso ir embora!”.

(Narcélio Lima)


O macaco fuxiqueiro

Futrica o macaco no galho
Baixinho porque é fuxico
Espia sem nem ter trabalho
Caçando qualquer mexerico

Diz que o urso é mocho
Diz que a preguiça cochila
E dando aquele muxoxo
Diz que é maior que um gorila

Fala de tudo que é bicho
O bicho que vê esculacha
Mas ele quer mesmo é buchicho
E se não tiver, ele acha!

(Narcélio Lima)




O GALINHO GARNIZÉ

O galinho garnizé
Subiu na Casa de Pão,
E bem junto à chaminé
Cantou seu velho refrão.

Acordaram o padeiro,
A boleira e o patrão.
O dia chegou primeiro
Por aquela região.

(Narcélio Lima)

Andorinha Francesa

Eu vi a andorinha
No céu a revoar,
Batias as asinhas
Dizia: – Au revoir!...

Pra onde ela ia?
Não soube explicar.
Só dizia à ventania:
– Ne me quitte pas!...

E a ventania boa
Vivia a concordar.
A vida passava à toa
E a andorinha a voar.


(Narcélio Lima)


A GATA

A gata mia no telhado.
Mia alto olhando a lua.
Solitária e tristonha,
Tem a noite como sua.

Todo dia ela sonha
Com um dono que não vem,
Mas aí quando anoitece
Não consegue ver ninguém.

Ela então desaparece
Entre muros e fachadas,
Ressurgindo noutro canto
Com olhar de abandonada.

Fez do mundo seu recanto
E da vida pouco sabe.
Só escuta o que se deve,
Só se mete onde lhe cabe.

De passagem é sempre breve
Nunca pára num lugar,
Vai de um telhado a outro,
Para nunca mais voltar.  


(Narcélio Lima)